Como testar duas versões da tua landing page (teste A/B sem complicar)
Muda-se o título, troca-se a cor do botão, reescreve-se o primeiro parágrafo — e depois? Como saber se a alteração ajudou ou prejudicou? A maioria das pessoas decide no "achismo": acha que ficou melhor e segue em frente. O problema é que a tua opinião sobre a página não paga as contas. Quem paga é quem clica.
O teste A/B existe precisamente para tirar a opinião da equação e deixar os números decidirem. E, ao contrário do que parece, não precisa de ser uma operação complicada nem cara. Neste artigo explicamos como fazer um teste A/B de forma simples e honesta.
O que é um teste A/B
Um teste A/B é uma experiência em que mostras duas versões da mesma página a pessoas diferentes, ao mesmo tempo, para ver qual converte melhor.
- Versão A: a página atual (o ponto de partida).
- Versão B: a página com uma alteração.
Metade dos visitantes vê a A, a outra metade vê a B. No fim, comparam-se as taxas de conversão das duas e fica a vencedora. É ciência aplicada a marketing — simples na ideia, poderosa no resultado.
Porque vale a pena (e quando não vale)
O teste A/B vale a pena quando tens tráfego suficiente e um objetivo claro de conversão (pedidos de orçamento, subscrições, vendas). Permite melhorar a página com base em factos, não em palpites, e acumular pequenas vitórias que somam muito ao longo do tempo.
Não vale a pena quando o site recebe poucas visitas. Se a página tem 30 visitantes por mês, vai demorar meses a juntar dados fiáveis — e até lá já mudou tudo. Nesses casos, é mais produtivo aplicar boas práticas já comprovadas (ver a anatomia de uma landing page que converte) do que testar.
Como regra prática, só vale a pena tirar conclusões quando cada versão acumula dezenas de conversões, não dezenas de visitas.
O que testar primeiro
Não testes tudo ao mesmo tempo. A regra de ouro é: uma alteração de cada vez. Se mudares o título, a imagem e o botão em simultâneo e a versão B ganhar, não saberás o que fez a diferença.
Começa pelos elementos com mais impacto:
- O título. É a primeira coisa que se lê e o que mais influencia a decisão de ficar ou sair.
- A chamada para ação. O texto do botão e o que ele promete. Pequenas diferenças aqui movem muito (ver guia de CTA).
- A oferta ou a proposta de valor. Como apresentas o que estás a oferecer.
- A imagem principal. Uma fotografia diferente pode mudar completamente a primeira impressão.
- A quantidade de campos do formulário. Menos campos costumam dar mais contactos.
Como montar o teste, passo a passo
- Define o objetivo. O que conta como conversão? Um pedido de orçamento enviado, por exemplo. Sem isto, não há teste.
- Cria a versão B com uma única alteração. Mantém tudo o resto igual à versão A.
- Divide o tráfego. Há ferramentas que fazem isto automaticamente, mostrando A ou B a cada visitante de forma aleatória. O Google Analytics e várias plataformas de otimização suportam este tipo de experiência (documentação do Google Analytics).
- Deixa correr tempo suficiente. No mínimo uma a duas semanas, para incluir dias de semana e fim de semana, e até acumular conversões que cheguem.
- Compara e decide. A versão com maior taxa de conversão fica. A perdedora é descartada — ou vira o novo ponto de partida para o teste seguinte.
Os erros que distorcem os resultados
É fácil enganares-te a ti próprio num teste A/B. Evita estes tropeções:
- Parar cedo demais. Ver a versão B à frente ao fim de dois dias e declarar vitória. As primeiras horas enganam — o acaso ainda manda.
- Testar várias coisas ao mesmo tempo. Já vimos: deixas de saber o que funcionou.
- Pouco volume. Com poucas conversões, a "vencedora" pode ser pura sorte.
- Mudar a página a meio do teste. Invalida tudo. Congela as versões enquanto a experiência corre.
- Ignorar o telemóvel. Boa parte do tráfego em Portugal vem de telemóvel. Confirma que ambas as versões ficam impecáveis em qualquer ecrã.
E o RGPD?
As ferramentas de teste A/B costumam usar cookies para lembrar qual versão cada pessoa viu. Em Portugal, isso implica recolher consentimento adequado, em linha com o RGPD e as orientações da CNPD. Garante que o teu banner de cookies cobre estas ferramentas antes de as ativar.
Não tens tráfego para testar? Começa pelo básico
Se o teu site ainda recebe poucas visitas, esquece o teste A/B por agora. Aplica primeiro as boas práticas que já se sabe que funcionam e evita os erros que matam a conversão. Quando o tráfego crescer, o teste A/B passa a fazer todo o sentido para afinar os últimos pontos percentuais.
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Fontes
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